Cúmplices da dor

27 de mar de 2012.
Muitas vezes que enxergo a ti ao longe, fico admirado.
Como se não existisse, nem em sonhos e nem fantasias.
Julgo-te por ser tão perfeita vagando por um vasto jardim ludibriado.
Carregando flores negras para a tumba de um Amado.

Aproximo cauteloso e mostrando uma timidez inerente ao que sou.
Pergunto se és mesmo a Dama que povoou os meus sonhos.
Rapidamente se pôs a negar dizendo que não era ninguém além dos gritos que ecoou.
Com a dúvida remota fiquei pasmo, será que enxergara o que carrego em dor?

Não entendia a sua beleza, pálida e singela, mórbida e feliz.
Como o contraste lhe caia tão bem, penso de maneira a rir.
Ela ouviu e ao ficar rogada me mostrou sua cicatriz em forma de diretriz.
Olhei até que ponto admirado com o suspeitar de dizer o quanto ela se pôs a cair.

Com o respeitar de minhas dores, toquei em sua ferida.
Sobrealta a pele e mostrando o caminho do pesar pergunto como essa ferida se formou.
Agora mais tímida e com o fardo da mágoa em sua face, responde que era uma saída.
Não querendo mais vê-la triste pego o seu punho ferido e lhe dou um beijo em louvor.

Com os olhos marejados deu-me mais uma vez o privilégio de seu sorriso.
Tiro os seus cabelos escuros de seu olhar e confesso de peito aberto:
Não precisa ficar assim, Nobre Dama, pois o que vem de mim é profundo como um abismo;
E como o céu, enxergo também as profundezas, dizendo de toda a certeza, como é belo o meu Amor.

~~**~~
 
"Amar ou ter amado é o bastante. Depois, não exijam mais nada. Além dessa não existe outra pérola escondida entre as dobras escuras da vida. Amar é completar-se."
 - Victor Hugo

10 Comentários:

Penélope Luzi disse...

Caríssimo Pierrot, que lindíssimo escrito! Fiquei imaginando toda a cena, perfeito!

“Não precisa ficar assim, Nobre Dama, pois o que vem de mim é profundo como um abismo;
E como o céu, enxergo também as profundezas, dizendo de toda a certeza, como é belo o meu Amor.”

Beijos, meu querido!

┼†■' ŞỮŇΔ '■ ┼† disse...

tu escreves de uma forma linda...
... este trecho que a Penélope citou.
e mais que perfeito!
...
O Lord dispensa comentários.

Dellone disse...

Nobre Lord Pierrot
Vim aqui lhe agradecer pela visita e elogio
ao meu escrito lá no "Silence". Obrigado!

...e me deparo com uma obra tão suave e de tão
grandiosa beleza feito esta que escreveu...
me atrevo apenas a lhe dar os Parabéns por tal
obra, que proporciona tão agradável leitura!

Tenha uma Boa noite
e Até breve!

☠Neith War☠ disse...

Maravilhoso!
Fico pensando aqui...a "saída",era uma forma de se juntar à seu amado? Não tendo êxito em seu empreendimento ele voltou para buscá-la? Ela estava tão triste e sozinha que à primeira vista não o notou sob esta nova forma? Realmente há possibilidades...Me lembrou uma música, espero que goste meu triste Pierrot...http://www.youtube.com/watch?v=vG4g_JeOiqU

Karla Hack dos Santos disse...

Assisti ontem - pela enésima vez - a adaptação de 92 do livro da Brönte O Morro dos Ventos Uivantes... Ler seu texto me fez voltar para lá!

;D

Dellone disse...

Saudações nobre Lord
como estais?
Tenha uma boa noite

Lady Gótica disse...

Obrigada pela sua presença em meu Blog anjo!Bjs de carinho da Lady Gótica!

Penélope Luzi disse...

Saudades de teus escritos doce Pierrot!

Penélope Luzi disse...

Caríssimo Pierrot, desejo que esta fase de dificuldade logo passe e que você volte a escrever seus belíssimos dizeres. Estarei aguardando, um grande abraço meu querido!

Dellone disse...

Andas sumido nobre Lord
como estais?
Tenha uma boa noite
cuide-se!

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